Quanto ganham os bailarinos profissionais de grandes Cias de dança na Europa?!

Trabalhar com o que amamos é o sonho de todos nós. Na hora de escolher uma profissão, é importante pensar em algo que faça nosso coração bater mais forte e provavelmente assim, seremos profissionais mais dedicados e melhores. Porém, essa escolha também precisa envolver outros fatores importantes, como por exemplo a remuneração. É importante saber qual a média de salário do mercado e comparar com a sua expectativa e ambição de vida futura, evitando possíveis frustrações! Nossa parceira de conteúdo Renata Darzi, fez uma pesquisa com ex alunos da Escola Petite Danse, que atualmente trabalham em grandes companhias clássicas pelo mundo, para saber qual a média de salário entre elas! Nesse vídeo ela fala como e quanto recebem os bailarinos de grandes Cias como Bolshoi (da Rússica), Royal Ballet (Londres), Dortmund Cia de Dança (Alemanha) e Opera Nacional de Bordeuax (França).

Continuar lendo


Diálogos entre a Ciência e a Dança

A arte é inerente ao ser humano desde suas origens, contudo, a produção da arte é um desafio em um mundo capitalista, onde a falta de incentivo e valorização prevalece. Não obstante, o meio acadêmico também sofre com o constante corte de verbas e desvalorização. Neste palco ainda em blackout o bailarino pesquisador se questiona: “haverá espaço para as Ciências da Dança?” e a luz no fim do túnel se acende como um holofote, ou um farol do outro lado do oceano. E o jeitinho brasileiro é sair do Brasil, largar tudo para ir buscar lá longe o que não conseguimos produzir aqui, e voltar, carregando o peso do conhecimento na mala, correndo risco de ainda pagar imposto. Continuar lendo


Pé forte ou pé fraco?

Esse tema veio instigado por uma pessoa que gosto muito, que é a Lu, que é muito atenta as perguntas de suas clientes e responsável pela linda Ana Botafogo Boutique. Cerca de 2 anos atrás, a Lu me perguntou: Helô, por que as alunas de ballet que veem comprar sapatilhas de ponta e dizem que têm um pé forte, querem uma sapatilha forte e vice-versa? Não deveria ser ao contrário? Entendi a dúvida dela, sorri e comecei a explicar¹.

Continuar lendo


Você ama dança? Então não pode perder o filme BalletNow!

Uma semana para criar uma coreografia que unisse diversos tipos de dança. Esse foi o desafio que Tiler Peck precisou enfrentar durante o BalletNOW. Sua rotina foi filmada e transformada em um documentário com uma perspectiva raramente vista. Imperdível!

 

Continuar lendo


Estreia mundial do ballet “O Menino do Pijama Listrado”

No último dia 25 de maio, no centro cultural “Cast”, em Doncaster, Inglaterra, estreou mundialmente o ballet “O Menino do Pijama Listrado”. Baseado no livro homônimo do escritor irlandês, John Boyne, lançado em 2006, a história foi adaptada para um filme de longa-metragem, em 2008. O enredo dramático é simples e linear, porém denso.

O menino Bruno, belamente interpretado por Metthew Koon, é filho de um general da SS, o exército nazista. O general, interpretado por Javier Torres, é promovido à comandante e se muda de Berlim com a família. Bruno, seu pai, sua mãe (Hannah Bateman) e a irmã Gretel, de 13 anos. Interpretada por Antoinette Brooks-Daw, Gretel chamou a atenção pela doçura e precisão.

Assim que abriram as cortinas, a primeira cena nos situou em tempo em espaço. Uma sala fria com luz entrando por uma vidraça bem acima da mesa de madeira, posta em um pequeno elevado, onde o comandante trabalhava. Uma águia prateada, símbolo do exército alemão, era a única peça de decoração além da mesa. A decoração do ballet, criada por Mark Bailey, foi simples, objetiva e eficaz. Em especial a cerca.

Com um lado mais alto que o outro, a cerca atravessava o palco em linha reta e transmitia a ideia da imensidão de ‘out-with’. Esse é o nome do local, segundo Bruno, um menino de 8/9 anos. Out-with é provavelmente Auschwitz. Na longa cerca, Bruno conhece Shmul (Filippo Di Vilio). Um menino que vive do outro lado e veste um pijama listrado. Os dois, que tinham a mesma idade, ficam amigos. Bruno visita-o regularmente e um dia decide entrar no campo de concentração para ajudar Shmul a encontrar seu pai. Shmul leva para Bruno um pijama como o dele e os dois se misturam com outros prisioneiros. São levados a uma sala onde devem entregar os uniformes listrados, e mortos numa câmara de gás.

O pai de Bruno, que se tornou o diretor de ‘out-with’ como parte da sua promoção, fica desolado ao encontrar, junto com a sua esposa, as roupas de Bruno do lado de fora da cerca.

O coreógrafo Daniel Andrade, que é Brasileiro, conseguiu, explorar o temperamento de cada personagem, não só através de sua coreografia, mas também através da plasticidade individual dos bailarinos. Com cada movimento cuidadosamente escolhido e trabalhado, a coreografia de Andrade mostrou riqueza de detalhes, porém, nenhum desnecessário. Houve muita dança durante todos os momentos, inclusive em momentos onde tradicionalmente se faz mise-en-scène, como cumprimentos. Através de soluções teatrais fantásticas e cenas muito bem costuradas, Daniel de Andrade transmitiu com maestria a história proposta.

A promoção do pai de Bruno foi encenada pelo Fury em uma bela dança com soldados. O Fury, que em inglês quer dizer fúria, é a interpretação/pronúncia de Bruno para Führer (Hitler). Esse jogo de conceito e sentido está na obra literária de Boyne. Porém, o coreógrafo Andrade foi além. Daniel Andrade, em uma solução teatral fantástica, transformou Fury em um personagem. Fury representa o mal e manipula os personagens centrais do exército SS na trama. Mlindi Kulashe, interpretando Fury, vestia negro e em todos os momentos aparecia com uma máscara de gás no rosto.

Além do pai de Bruno, o outro personagem manipulado por Fury é o Tenente Kotler, que está baseado em ‘out-with’ e é quem recebe o comandante ao chegar com a sua família. Ele é cruel e sente prazer em humilhar e maltratar os prisioneiros e empregados. Característica essa que chama a atenção da menina Gretel. Gretel é cheia de vida, esperta e ágil. Uma aluna aplicada. Porém, o conteúdo ensinado na educação nazista não agrada à sua mãe. Inclusive, esse é um motivo de discussão entre o casal, pais de Bruno e Gretel.

Bruno não tem muito interesse nos estudos, porém, gosta de explorar. Foi em uma das suas “escapulidas” que descobriu a cerca. Uma solução teatral interessante foi o jogo de luz que ajudou a aumentar a distância entre a casa de Bruno e o campo de concentração. Toda vez que o menino ia ao campo, ele fazia o mesmo trajeto, que era demarcado por uma faixa retangular de luz por onde o menino passava. Reto pelo avant-scène, na diagonal para o fundo, reto no fundo, diagonal para frente e mais uma linha no avant-scène. Era nesse último trajeto onde a cerca descia para dividir o palco.

A iluminação de Tim Mitchell teve um papel também significante na ambientalização das cenas. Por vezes, dividindo o palco em dois, três ambientes simultâneos. A iluminação foi feita por luz branca. Os efeitos cinzas nos transportavam para dentro de uma escuridão fria. Cor foi usado apenas uma vez, um foco de vermelho intenso, quando o Tenente Kotler foi rebaixado e enviado para a guerra como soldado de frente de batalha. Isso como punição por ter se envolvido com a esposa do comandante. Penso que cores poderiam ter ajudado a transmitir a atmosfera das cenas, além da ambientalização.

A música de Gary Yershon teve suspense, intriga e ingenuidade, transmitido pelo piano, que foi usado como leitmotiv de Gretel. A música por si só é muito difícil e apresenta algumas linhas melódicas simultâneas. Não foi uma música “dançante”, como é comum em ballets. Porém, o que poderia ter representado dificuldade, transformou-se em liberdade para a criação de cenas e danças.

A cena mais forte do enredo foi o momento em que os prisioneiros eram executados na câmara de gás. Um belo momento onde os prisioneiros, após se despirem e entregar os uniformes, entram para uma câmara, demarcada apenas pela entrada. Forte fumaça começa, então, a descer em cima dos prisioneiros. O enredo dramático não ajudou para termos um final marcante, que fixasse na memória. Na última cena do ballet, o comandante ficou chorando em cima das roupas do filho, e a Fury triunfando em suas costas.

Escute Daniel Andrade em entrevista:

https://www.youtube.com/watch?v=L6owWrAKhcM

Chamada para o ballet:

https://www.youtube.com/watch?v=LzEadETHrRw&feature=youtu.be


Divulgadas as datas dos cursos do Royal Academy of Dance no Brasil

A metodologia da Royal Academy of Dance para crianças de 3 a 6 anos, que povoa as cabecinhas com sonhos e novos sons, enquanto ensina a base para o estudo do ballet clássico, foi testada e aprovada nas melhores escolas no Brasil e no mundo.

Os cursos de Pre-Primary e Primary em Dança serão ministrados no Brasil em São Paulo, 26 de junho, Cuiabá, 3 de julho, Recife, 9 e 10 de Julho e Campina Grande, 13 de outubro.

Para maiores informações, contatar a RAD pelo email mckenny@royalacademyofdance.com.br


S.O.S Theatro Municipal: participe da campanha de arrecadação de itens não perecíveis

Na tarde de ontem, os funcionários do Theatro Municipal do Rio de Janeiro realizaram um ato na Cinelândia para protestar pela regularização de seus salários atrasados. O protesto, que contou com a presença da diretora do Balé, Ana Botafogo, e apresentação de bailarinos, coro e orquestra da casa, reuniu uma multidão nas escadarias do Theatro.

De acordo com os funcionários, os salários não são pagos desde fevereiro e o décimo terceiro salário referente ao ano passado ainda não foi regularizado.

Por causa dos atrasos, apresentações foram canceladas e muitas atividades podem ser paralisadas já que os profissionais não podem arcar com custos de transporte e materiais de trabalho. São mais de 500 colaboradores sem receber salário.

A SINTAC-RJ iniciou uma campanha de arrecadação de itens não perecíveis para ajudar os funcionários que mais precisam. As doações podem ser realizadas no prédio anexo ao Theatro Municipal, na Avenida Almirante Barroso. Você também pode fazer sua doação na nossa loja, na Rua Barata Ribeiro, 370 – Copacabana.

O Blog I Love Ana Botafogo apoia a causa dos artistas e se junta ao coro que cobra a regularização dos salários e das condições de trabalho. A cultura é a alma de um povo e a casa mais importante do país não pode ser negligenciada dessa forma. Juntos somos mais fortes!


Cursos de Férias na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

Atenção bailarinos e professores, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil divulga a lista dos Cursos de Férias oferecidos por profissionais da instituição, em julho de 2017, durante o Festival de Dança de Joinville.

Dez cursos foram disponibilizados: balé clássico iniciante e intermediário, variações de repertorio, Dueto e Introdução ao Método Vaganova Bolshoi Brasil para professores.

Todos os cursos com certificado via Bolshoi Brasil. A lista já está disponível no site do Festival de Dança (http://www.ifdj.com.br/bolsh…/cursos-2017/compra_cursos.aspx) e a venda já está aberta. Escolha o seu e não perca essa oportunidade


Cirque Du Soleil abre audições para bailarinos

Você é um bailarino profissional e versátil pronto para prosseguir em uma carreira desafiadora e dinâmica em entretenimento ao vivo?

Sua jornada em direção a um palco do Cirque du Soleil começa por uma audição…

A equipe de Casting do Cirque du Soleil está organizando audições dia 31 de agosto de 2017 no Rio de Janeiro, para as seguintes disciplinas:

CONTEMPORÂNEO – CLÁSSICO – JAZZ – HIP-HOP – POPPING – BBOYING – JOOKIN’ – WAACKING – BAILARINOS COM HABILIDADES ACROBÁTICAS.

Sessão de retorno: na sexta-feira, 1º de setembro de 2017.

Se você tem 18 anos ou mais prepare sua audição virtual incluindo:

1. Um CV/currículo;
2. Duas fotos máx (uma de rosto e uma de corpo inteiro);
3. Um vídeo de demonstração caracterizando suas melhores habilidades. Para obter mais informações sobre o que incluir no vídeo clique aqui.
4. Prazo de envio: o mais rápido possível.

Informação importante:

Uma vez que seu pedido completo é enviado, um caça-talentos avaliará seu material;
Se você for selecionado para assistir às audições ao vivo no dia 31 de agosto, você receberá um convite por e-mail com detalhes adicionais.

Observe que:

O Cirque du Soleil não pagará por quaisquer despesas incorridas por participar das audições;
Estas são audições gerais para todas as funções em nossos espetáculos atuais e futuras criações. Se você passar com êxito nas audições, você fará parte de nosso banco de dados de artistas potenciais para futuras chamadas de elenco – não oferecemos contratos nas audições.

Termos e condições gerais de aplicação online:

1. As informações de perfil dos candidatos serão utilizadas pelo Cirque du Soleil e seus parceiros;
2. Material apresentado pelos candidatos não será devolvido;
3. O material dos candidatos que não foram selecionados, pode ser destruído pela equipe de casting;
4. Ao fazer a aplicação on-line, os candidatos que enviaram seu material através de links para demonstração de vídeo concordam que a equipe de casting extrairá se necessário o material a partir destes links para adicioná-lo ao perfil do candidato;
5. As aplicações podem ser consideradas para uma ou mais funções em todos os nossos espetáculos atuais e futuras criações.

Para fazer sua inscrição clique no link abaixo e boa sorte!!!

http://pt.ext.casting.cirquedusoleil.com/apex/ts2mmx__jobdetails?jobId=a…

*Texto publicado originalmente no site Dança Brasil


Abrem inscrições para a Mostra Paranaense de Dança

A Mostra Paranaense de Dança, festival organizado pela ABABTG – Associação de Bailarinos e Apoiadores do Balé Teatro Guaíra, reuniu em sua última edição cerca de 15 mil pessoas, com a participação de 83 grupos de mais de 50 cidades. Esse ano, o evento espera dar visibilidade a novos talentos e abrir portas nacionais e internacionais para os dançarinos.

Ontem, a décima edição do evento deu sua largada abrindo inscrições para a seletiva de Curitiba convidando grupos, companhias, escolas e estudantes de dança a participarem do espetáculo. Ter a oportunidade de se apresentar no palco do Guairão, o mais emblemático do estado, com a casa cheia é uma grande oportunidade para os bailarinos, que serão selecionados.

No entanto, vale lembrar que essa experiência única vai muito além do evento em si. Muitos participantes têm encontrado possiilidades de aprimoramento técnico e artístico e oportunidades em companhias profissionais graças à visibilidade que o Festival concede. O bailarino Daniel Perin, de Francisco Beltrão, é um exemplo de sucesso. Participante em diversas edições do evento, ele foi convidado para integrar a Ulm Theater – companhia de dança contemporânea alemã – por meio de uma audição pública, quando o diretor da companhia estava no Brasil por outro projeto da Associação.

As inscrições para a seletiva de Curitiba acontecem entre os dias 13 e 19 de abril e podem ser feitas diretamente pelo site www.ababtg.org.br/mostra. Os inscritos se apresentarão para uma banca de profissionais convidados pela ABABTG no Guairinha entre os dias 4 e 7 de maio.  A abertura oficial do evento, no dia 3, às 20h, contará com a apresentação de bailarinos internacionais premiados no Internationales Solo-Tanz-Theater Festival Stuttgart, festival alemão de dança contemporânea. Todas as apresentações são abertas ao público em geral.

A Mostra Paranaense de Dança ainda fará seletivas em Ponta Grossa, Francisco Beltrão, Campo Mourão e Arapongas para selecionar coreografias de todo o Paraná e demais estados para a grande final. Nas cidades do interior, a abertura das atividades será com a G2 Cia de Dança, com os espetáculos La Cena e Blow Elliot Benjamin, ambos com direção de Cleide Piasecki. Também serão ofertadas oficinas de aprimoramento técnico e artístico em modalidades variadas, ministradas por profissionais habilitados.

Cronograma da edição 2017

Período de inscrições de escolas, academias, grupos e artistas:

  •  Curitiba: de 13 a 19 de abril
  •  Ponta Grossa: de 20 a 26 de abril
  •  Francisco Beltrão: 27 de abril  3 de maio
  •  Campo Mourão: 4 a 10 de maio
  •  Arapongas: 11 a 17 de maio

Obs.: regulamento e inscrições via www.ababtg.org.br/mostra

Período das seletivas nas cidades do Paraná:

  •         Curitiba: de 3 a 7 de maio
  •         Ponta Gross: de 12 a 14 de maio
  •         Francisco Beltrão: de 19 a 21 de maio
  •         Campo Mourão: 26 a 28 de maio
  •         Arapongas: 2 a 4 de junho

Espetáculo de abertura da Mostra Paranaense de Dança

Solistas premiados no Internationales Solo-Tanz-Theater Festival Stuttgart

Data: Quarta-feira, dia 3 de maio, às 20h

Local: Guairinha – Rua XV de Novembro, 971

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia), Disk Ingressos e bilheteria do teatro.

Espetáculos dos grupos inscritos na Seletiva Curitiba

Data: de 4 a 6 de maio, às 20h, e 7 de maio, às 18h

Local: Guairinha – Rua XV de Novembro, 971

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Disk Ingressos e bilheteria do teatro.

Mostra Final com os artistas e grupos selecionados:

  •         Entre os dias 16 a 18 de junho, no Guairão.

Oficinas de aprimoramento técnico e artístico

  •         As datas exatas, modalidades e inscrições serão divulgadas no site do evento:

www.ababtg.org.br/mostra <http://www.ababtg.org.br/mostra>

Regulamento e mais informações:

mostra@ababtg.org.br

www.ababtg.org.br/mostra

www.facebook.com/ababtgoficial  

www.instagram.com/ababtg

 

*Com informações de Smartcom

*Crédito Foto: Deborah Chibiaque


Coreografias limpas, outro nível

Coreografias limpas saltam aos olhos de quem dança e de quem assiste! Nada como ver tudo organizado, principalmente quando não são solos. Duos e grupos em sintonia, fazendo movimentos iguais, ao mesmo tempo, seguindo o ritmo.


Significado de limpeza em dança

Limpeza – Quando os movimentos ou a coreografia está limpa significa que tudo está acontecendo certo. O mais perfeito possível. Falamos: “Fulana é limpa” ou “precisamos limpar a coreografia”.

Com a coreografia devidamente memorizada vai começar a fase de limpeza. Aprimoramento técnico; percepção de detalhes; confirmação de poses; posições de pernas, braços, mãos, cabeças…; posicionamentos; desenhos.

Para professores

Não podem deixar a preguiça e nem a pressa atropelarem esse processo de limpeza tão importante e essencial para um bom resultado do trabalho.

Para os alunos ou bailarinos

É sempre importante entender as repetições, dar atenção a todos os pequenos detalhes, ajudar o professor ou ensaiador falando quando não sabe muito bem determinado movimento, ou quando perceber que tem alguém fazendo diferente. Ser ser “dedo duro”, mas buscando apenas o esclarecimento do que deve ser feito.

Quanto mais repetirmos, mais teremos o domínio daquela coreografia e como é bom dançar seguro do que está fazendo.

Não será por acaso que, em francês, a palavra ensaio se diz “répéter”. É preciso repetir, repetir, repetir, ensaiar e repetir (de novo).
Uma coreografia limpa vale muito!!!!!!
Pode ser simples, se estiver bem limpinha mesmo fica tão linda!

Texto publicado originalmente em Mundo Bailarinístico

 

 

 

 


O que é ser Maítre de Ballet?

Sempre ouvimos falar que alguém é  ou foi um grande Maitre de Ballet. Mas afinal o que significa? O post de hoje será dedicado a esta pergunta.

MAITRE, MAITRESSE-DU-BALLET
É o responsável, junto ao coreógrafo, por manter e remontar, quando necessário, a obra, respeitando sua autenticidade, qualidade técnica e artística. O maitre também dá aulas à companhia cuidando da unidade de trabalho e estilo que estão em sua responsabilidade.

Ou
MAITRE DE BALLET – Dirige os bailarino ou dançarinos do corpo de baile, zelando pelo rendimento técnico e artístico do espetáculo; ensaia bailarinos ou dançarinos; remonta coreografias; ministra aulas de dança em companhia especifica.

É também responsável distribuir os papéis e conduzir os ensaios.

Até o final do século XIX , com raras exceções, o papel de Maitre era exercido sempre por um homem. Ele era o principal, se não o único, coreógrafo da companhia. Hoje em dia muitas mulheres exercem essa funções em cias e os trabalhos coreográficos não são exclusividade dos Maitres.

Ele está presente nas decisões, na criação e recriação de obras, participando dos trabalho coreográfico. Além disso ele coordena o trabalho de músicos e técnicos com os bailarinos.

É a memória do repertório da companhia. Um Maitre de ballet também é um professor o que garante que ele conheça bem os bailarinos lidando com eles diariamente em suas rotina de aulas.

Alguns Maítres famosos:

Frederick Ashton (1904-1988)
George Balanchine (1904-1983)
August Bournonville (1805-1879)
Enrico Cecchetti (1850-1929)
Jean Coralli (1779-1854)
Jean Dauberval (1742-1806)
Anthony Dowell (1943-)
Pierre Gardel (1758-1840)
Lev Ivanov (1834-1901)
Serge Lifar (1905-1986)
Rudolf Nureyev (1938-1993)
Jean-Georges Noverre (1727-1810)
Jules Perrot (1810-1892)
Marius Petipa (1818-1910)
Arthur Saint-Léon (1821-1870)
Filippo Taglioni (1777-1871)
Gottfried Taubert (1679-1746)
Salvatore Viganò (1769-1821)

Fontes:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%AEtre_de_ballet
http://satedrs.org.br/leis/5/funcoes-em-que-se-desempenham-atividades-artisticas/

 

Texto publicado originalmente no blog Mundo Bailarinístico

Crédito: danceinternacional.org


Ensino da técnica do ballet clássico para adultos: Considerações – 15ª parte

Olá,

Continuando a minha série sobre o trabalho na barra, o objetivo, nesta postagem, é falar um pouco sobre o exercício do battement frappé.

O verbo frapper em francês é traduzido como bater no sentido de golpear. Considero, atualmente, a palavra “golpeado” mais apropriada para este exercício. O trabalho consiste em uma flexão da articulação do joelho flexionando a perna e uma rápida extensão (golpe) que vai desenvolver agilidade e força na musculatura extensora da perna e também, com menos ênfase, nos flexores da coxa.

O battement frappé é um exercício polêmico. As diferentes escolas apresentam formas distintas de fazer essa ação. Quando o joelho está fletido, algumas escolas determinam que a posição sur le cou de pied pode se apresentar em dorsiflexão, outras em plantiflexão e algumas utilizam os pés com plantiflexão, mas sem a flexão dos dedos. Ainda nessa postura, a posição sur le cou de pied pode ser a frente e atrás, sendo que na posição a frente pode ser com todo o pé na frente do outro ou apenas com o calcâneo a frente e os dedos atrás da perna abraçando o tornozelo do outro pé.

Quando ocorre o movimento de extensão da perna (golpe) algumas escolas ensinam que deve-se raspar o metatarso (meia-ponta) pressionando o chão. Para outras o pé, ao sair do chão, estará sempre em plantiflexão com flexão dos dedos e portanto não raspará o chão. A altura dos frappés também diverge nas diferentes escolas, podendo ser de 30º até 45º. Em geral, todas as escolas recomendam a acentuação do exercício na extensão, ou seja, com acento para fora.

Todavia, em comum, todos os métodos trabalham os extensores e flexores da perna que é o grande objetivo deste exercício. O grande trabalho é a manutenção da flexão da coxa isometricamente enquanto o trabalho preciso dos extensores da perna nos “golpeamentos” fortalece e traz agilidade para essa musculatura. Quando se faz a dorsiflexão e a raspagem no chão trabalha-se também a musculatura que atua nos pés e dedos.

O battement frappé é um exercício de difícil execução para os iniciantes. Já observei várias formas de começar esse treinamento. Usualmente, os professores começam ensinando a posição sur le cou de pied e estendem a perna no degagé  no chão a frente, ao lado e atrás. Eu, nas aulas de adultos iniciantes, ensino utilizando na flexão da articulação do joelho a posição sur le cou de pied abraçando o tornozelo oposto e na extensão, sem raspar no chão, a altura da perna a 45º. Minha escolha por este formato deve-se a minha observação, nos últimos 20 anos que venho atuando como professora para alunos adultos. Observei que a eversão é melhor apreendida com o trabalho da posição sur le cou de pied que abraça o outro tornozelo. Quanto ao movimento de extensão oriento na altura de 45º, pois percebi que os alunos não perdem tanto a rotação externa, o famoso en dehors, durante a realização do trabalho, além de associar com os futuros passos no centro gravando em suas memórias corporais essa angulação. Porém, ao dar aulas para profissionais, se for meu objetivo trabalhar a musculatura dos pés, uso a raspagem no chão. Escolhas…

A agilidade e a coordenação dos battements frappés com trabalho de braços e da cabeça demonstram o nível artístico, o controle e a consciência do bailarino, pois é na velocidade que podemos reconhecer o grau de maturidade que ele tem. Adoro ver um bom bailarino executando  o battement frappé corretamente, principalmente os duplos. Gosto muito desse vídeo com a belíssima bailarina francesa Isabelle Ciaravolla realizando os battements frappés que está disponível em: https://youtu.be/ogfQYxWMuBY

Neste exercício reitero o trabalho dos pés com plantiflexão e eversão. Nesse caso reforço a flexão dos dedos dos pés que às vezes se perde na posição sur le cou de pied. Fora isso, insisto no habitual que é a manutenção dos músculos abdominais para a postura correta do bailarino, a pelve neutra e a ativação e manutenção dos rotadores externos.

Antes de terminar gostaria de falar da associação usual do batement frappé com o petit battement sur le cou de pied que trabalha mais a musculatura flexora da perna já que o foco é a flexão da perna, ou seja, com acento dentro. Acredito que essa complementação é muito oportuna para o trabalho muscular já que o movimento de flexão e extensão da perna será muito utilizado depois nos passos do centro, que por sua vez será usado nas coreografias. Um exemplo bem claro são as famosas pirouettes fouettés en tournant a 45º. Para realizar bem os 32 giros, a bailarina vai precisar executar muito bem o movimento de extensão da perna ao lado e depois de flexão ao fazer o retiré passé durante o giro. (neste link tem outras informações interessantes sobre os fouettés para quem quiser.  https://www.youtube.com/watch?v=l5VgOdgptRg  )

Na próxima postagem, pretendo finalizar os exercícios da barra com os battements developpés já que os grand battements tendu jetés foram analisados no meu texto aqui nesse blog em maio de 2013.

Beijos, Helô


Como portar-se numa audição de ballet?

A leitora Fernanda Miranda pediu dicas de como portar-se em audições. Então o post de hoje é dedicado à ela e para quem mais estiver fazendo audições por aí… Tanto em cias como também em escolas.

Prepare-se

Treine; procure informações de como será esta audição. Em alguns casos existe uma aula que é disponibilizada previamente. Estude.

Alimente-se bem

Cuidado com o que você come antes da audição. Evite alimentos pesados e gordurosos. Beba bastante água.

Controle a ansiedade

Ter a parte emocional sob controle é essencial para quem busca bons resultados em audições.


Não se compare aos outros


Você está ali para dar o seu melhor, sem ficar se avaliando e se comparando às outras pessoas. Faça o que tiver que fazer, sem medos e entregue-se.

Esteja arrumadinho (a)

A aparência é muito importante quando você vai participar de uma audição de dança.

Use sempre roupas simples, de cores mais neutras, limpas, roupas de ensaio descomplicadas. Seu cabelo deve estar muito bem arrumado, sem cair em seu rosto e sua maquiagem deve ser leve.

Sempre chegar mais cedo

Para que você possa aquecer e se ambientar.

Seja respeitoso com os seus companheiros de audição para que todas as pessoas possam executar o teste.

Ouça com atenção o professor

Para fazer exatamente o que eles pediram, pois eles estão tentando avaliar a sua capacidade de seguí-los ao mesmo tempo que eles estão tentando avaliar a sua capacidade de dança.

Não fique “relaxado”

Não se encoste na barra; não sente durante a aula.

Silêncio

Seja disciplinado desde o tempo que antecede até a hora que audição acabar. Busque falar só quando for necessário.

Agradeça!

Finalmente, agradeça ao professor no final da aula e lembre-se numa audição não irão avaliar apenas a sua dança, mas também seu comportamento, mesmo quando você sair da classe.

Texto publicado originalmente no Blog Mundo Bailarinístico.


Estreia Mundial do ballet Casanova

No dia 11 de Março de 2017 estreou um novo ballet para os amantes de repertório e histórias, Casanova. Coreografado por Kenneth Tindall na música de Kerry Muzzey. O Ballet, em dois atos e onze cenas, é dançado pelos bailarinos do Northern Ballet no Grand Theatre da cidade de Leeds, na Inglaterra. A primeira temporada ocorre do dia 11 ao dia 18 de Março. Eu assisti ao espetáculo do dia 15 de Março. O ballet conta a história de Giacomo Girolamo Casanova (1725-1798), baseando-se na biografia de Casanova escrita por Ian Kelly, que também assina o libreto.

Casanova, nascido em Veneza, teve a sua história transformada em um símbolo do século XVIII na Europa. Este século representa uma constante dicotomia entre o sagrado e o profano. O século XVIII é a época da caça às bruxas e das festas regadas a bebidas e orgias. Casanova foi músico, escritor, matemático, bibliotecário e “concumbino”. Ele foi condenado pela inquisição por se interessar por cabala e ciências “modernas”, como a medicina. Conseguiu fugir de forma cinematográfica pelo telhado da sua prisão, ou pelo menos assim o descreveu em sua autobiografia “História da minha vida” (Historie de ma fuite).

O ballet começou com uma dança em uníssono de monges, representando a primeira parte de vida de Casanova, quando estudava para a vida eclesiástica, e trouxe desde então o interesse do herói por literaturas proibidas. Um livro vermelho que, fazendo jus à época que estamos, ao ser aberto brilhava uma luz led cor diamante, que contrastava com a escuridão do mundo ao redor.

Por falar em luz, a iluminação de Alastair West merece crédito não só pelos efeitos, mas pela habilidade com que a iluminação integrou o enredo, tornando-se por vezes a única responsável por “mover” o drama, ou seja, por contar a história. Assim foi na condenação do Padre Balbi, quando um largo foco de luz, que desenhava uma vidraçaria no chão do palco, foi se fechando, até deixar o bailarino em total escuridão. Assim também foi no infarto do Senador Bragadin, onde Casanova salva-o ao aplicar seus conhecimentos de primeiros-socorros aprendidos nos livros proibidos pela igreja. Esse momento foi contado apenas por flashes de luz onde canhões de luz ora da esquerda, ora da direita, ora de cima, iluminavam os bailarinos em cena, cada hora em uma pose conjunta.

Outro ponto marcante deste ballet é a exploração da decoração, criada por Christopher Oram. A decoração durante o primeiro ato era formada por três grandes pilastras que se movimentaram quase que ininterruptamente, demonstrando ambientes diferentes a cada cena. Grandes portas espelhadas foram abertas e por vezes substituíram as pilastras no segundo ato. Lindas portas que traziam luminosidade ao placo nos momentos de festa e orgia. A decoração dançou, literalmente. Os bancos na missa giravam, as pilastras iam para frente e para trás, a mesa, cadeiras, poltronas, espelho e tudo mais entravam e saiam de cena levados pelos bailarinos que os giravam como piruetas, às vezes de forma exagerada. Exagerada também estavam as marcações da decoração no palco. Aquelas fitas adesivas que marcam o local onde o objeto, ou o bailarino deve ficar. Tinham fitas espalhadas por todo o palco, de todas as cores.

Os figurinos, também de Chistopher Oram, foram muito bem elaborados, bonitos, sensuais e interessantes, que demostravam o estilo da época de forma contemporânea, ou seja, sem nenhuma intenção de fazer uma ‘mímica’ das roupas de época. 

A coreografia de Tindall misturou um alto padrão de dança clássica com movimentos básicos de dança contemporânea. Os pas de deux belos e tecnicamente difíceis, danças coletivas fortes e cada uma com a sua característica. Uma coreografia linda que explorou a sensualidade dos bailarinos de forma sutil, e a sexualidade dos momentos de orgia de forma respeitosa e bela. Em nenhum momento me senti incomodada pela sexualidade que permeou o ballet do início ao fim. Tindall fez isso de uma forma impressionante, até o nu de Casanova, no momento em que ele vira concumbino da Madame de Pompadour, teve seu lugar e não me pareceu desnecessário. Foi belo. Explorar tanto os relacionamentos héteros, como os homossexuais de Casanova merece todos os meus aplausos. E pela reação do público masculino, não aparentaram incomodados com as cenas que representavam o sexo entre homens. Casanova, um lindo bailarino de porte atlético, interpretou e dançou o seu papel com maestria.

Tenho apenas uma crítica a fazer com referência ao trabalho do coreógrafo. Muitas cenas não ficaram claras, principalmente no primeiro ato. Por exemplo, o senador Bragadin, apaixonado por Casanova, flagra-o com a freira M.M. e todos saem correndo pelo lado esquerdo, enquanto no canto direito, um homem todo vestido de vermelho levanta o branco apontando para a direção por onde eles correram. Daí a entender que Bragadin veio avisar Casanova que a inquisição estava atrás dele, só lendo o programa.

Por falar em programa, devo registrar a minha indignação. O programa, um lindo livro de tamanho A4, com papel grosso fosco, fotos e comerciais, traz o nome de todos os envolvidos, inclusive uma foto do rosto de todos os bailarinos. Porém, não diz quem interpretou qual papel. É inadmissível um programa não dar créditos aos seus artistas. Que acrescentassem uma folha avulsa com os bailarinos principais do dia.

A música de Kerry Muzzey foi bonita, porém sem desenvolvimento e com uma harmonia bastante semelhante do início ao fim. Baseada em melodias dispersas que iam e vinham, a música não acompanhou a história dramática, não mudou as suas características no decorrer das diversas facetas do herói e do enredo. Confesso que no meio do primeiro ato pensei estar ouvindo uma trilha sonora de um filme, ao invés de um ballet de enredo. Após ler sobre o compositor, descobri que ele compõe para cinema e que esse é o seu primeiro trabalho para o teatro.

Link para o trailer oficial:

https://www.youtube.com/watch?v=5TUdxK_Y-mo


Dicas de como escolher uma Academia de Ballet

A seguir está uma lista das qualidades de uma boa academia:

• Um ambiente profissional

Uma academia de dança profissional vai focar em uma coisa: o progresso contínuo do seu filho na dança. Muitas academias de dança são de natureza comercial, concentrando-se mais no divertimento e lazer. As turmas nestes estabelecimentos são geralmente muito grandes. Se você quiser que seu filho aprenda a técnica adequada e receba ensino de qualidade, escolha uma academia de dança profissional, com turmas pequenas e professores sérios.

• Professores qualificados

Assim como todas as academias de dança não são iguais, nem todos os professores são iguais também. Sua escolha para um professor de dança é crucial para o sucesso futuro do seu filho como um bailarino. Maus hábitos aprendidos em uma idade jovem são extremamente difíceis de quebrar. Verifique as qualificações do professor. Certifique-se de que ele ou ela possui uma formação em dança, é certificado ou já dançou com uma companhia profissional.

• Turmas pequenas

Quanto menor a turma, mais a atenção individual seu filho irá receber. É mais fácil para o professor manter o controle sobre uma classe menor, que permite uma maior instrução personalizada. Cada bailarino na classe merece devida instrução e correção do professor.

• Um ambiente agradável

O ambiente global de uma academia de dança é a chave para o sucesso de seu filho. A academia deve ser acolhedora e convidativa, bem como o pessoal. O local deve estar limpo e bem conservado. A sala de dança deve ser bem arejada e espaçosa, com espelhos que cobrem, pelo menos, uma parede inteira.

Texto publicado originalmente no blog Mundo Bailarinístico


Movimento natural e individual como base para a dança

Como analisar o movimento humano sem parar para observá-lo e, principalmente, perceber em que ambiente ele se encontra? Os hábitos e as vivências diárias influenciam fortemente a maneira como nos movemos e, consequentemente, nossa dança.

Rudolf Laban (bailarino e coreógrafo húngaro) foi um dos pioneiros a mudar seu olhar para o corpo e compreender a movimentação como efeito do cotidiano.

Com a revolução industrial, entre os séculos XVIII e XIX, a padronização e a repetição motora se tornaram fatores de orientação do comportamento social. Cidades cresciam, embora os espaços se tornassem menores, limitando a manifestação corporal. Porém, estamos no século XXI e parece que nada mudou, não é?! Quantas horas passamos sentados em frente ao computador, a televisão, conversando no bar com os amigos? Quantas horas estamos parados no nosso dia?

Laban percebeu que era necessário haver uma renovação na linguagem do movimento e criou metodologia de ensino da dança com base em quatro aspectos: criação, notação, apreciação e educação. Claro, que tudo isso aliado à compreensão do corpo e integrado com a personalidade do indivíduo. Contrário ao fluxo da padronização, o coreógrafo objetivava enaltecer a individualidade e a singularidade das pessoas.

É nesse momento que surge a grande sacada de Laban: explorar a movimentação através do desenvolvimento do movimento natural, de maneira espontânea e livre. O corpo é desconstruído, quebrando a limitação adquirida pelas regras de padrão e comportamento social. Ninguém precisa ensinar a um bebê como ele engatinha. Ele simplesmente encontra maneiras de fazer isso, naturalmente. Então, por que não resgatar essa forma de movimentação impensada e sensitiva?

shutterstock_422913367

Embora ainda não seja muito disseminado entre as aulas de preparação para a dança, o movimento natural pode ser grande aliado para compreendermos como nosso corpo se move, além de promover liberdade individual. A autodescoberta promove a facilidade para encarar desafios e complexidades motoras. Por isso, é importante deixar o corpo se manifestar sozinho, sem “raciocinar”.

Claro que para isso ocorrer, é fundamental receber estímulos, já que nosso repertório motor é desenvolvido a partir de nossa história e nossas experiências.

Então, vamos lá. Domine a conscientização corporal, o contato entre as partes do corpo, o peso (troca entre pesado e leve), o entendimento do espaço e a noção de ritmo (rápido e lento). Com essas dinâmicas, conseguimos enriquecer nossos repertórios motores.

Não restrinja seus movimentos. Liberte-os! Improvise! Sinta! Deixe fluir e não pense que está errado. Não existe movimento errado, existe apenas movimento. Quando você estiver livre da padronização e se permitir ser versátil, a dança sairá naturalmente, sem esforços, sem dificuldades.

Busque o movimento que há em você!

Texto publicado originalmente no blog Bem Dança


6 dicas para ser um bailarino melhor em 2017

 

Ser um bom bailarino requer disciplina, treino, prática e paixão. Estas 6 dicas vão ajudar quem adora dançar, a focalizar a atenção nos aspetos que são realmente importantes para ser um bailarino cada vez melhor.

Uma boa escola: um bom dançarino requer uma boa escola, por isso, se o seu sonho é pisar os melhores palcos, invista na melhor formação. Antes de se inscrever, procure as escolas com as melhores referências, os professores com mais nome no mundo da dança. Este é um investimento que valerá a pena…

Aprenda com os outros: para além de um excelente professor, tornar-se um dançarino melhor também passa pela observação de outros bailarinos. Veja filmes, programas de televisão, competições e espetáculos de dança ao vivo – veja tudo o que puder, aproveitando para observar bem a postura, as técnicas e os movimentos dos bailarinos. Aproveite para usar aquilo que viu e aprendeu nas suas próprias coreografias.

Melhore a postura: a postura é tudo num dançarino e é preciso mantê-la corrigida e alinhada sempre! Como? Costas direitas, ombros para baixo e para trás, cabeça levantada. Isso vai refletir-se positivamente cada vez que pisar o palco para dançar.

Alongamentos diários: o corpo de um dançarino é o seu bem mais precioso e a sua principal ferramenta de trabalho, por isso, precisa de estar em forma! Os alongamentos diários podem muito bem ser o segredo do sucesso de muitos bailarinos, pois garantem uma maior flexibilidade ao corpo, o que por sua vez vai refletir-se na forma como dança: quanto maior a flexibilidade do corpo de um bailarino, mais fácil será efetuar qualquer tipo de movimento e passos, sendo que esses vão ser elegantes e não vão parecer esforçados, mas naturais. O sonho de qualquer dançarino de sucesso, não é verdade?

Aperfeiçoe a técnica: aquilo que separa um bom dançarino de um dançarino excelente é, sem dúvida, a técnica. Saber dançar os passos de uma coreografia é fundamental, mas executar esses passos na perfeição é aquilo que o pode tornar um bailarino fora de série. Pratique, pratique, pratique…

Relaxe e entregue-se: dançar é uma arte e cada coreografia conta uma história – é assim que um dançarino se expressa e é assim que cativa e emociona quem o vê. Mas, para conseguir transmitir tudo isso, é essencial que um bailarino esteja completamente relaxado, entregue à música e à sua paixão. Respire fundo, sorria, deixe-se levar… afinal de contas, dançar também faz bem à saúde!

FONTE: Passo Base

Texto publicado originalmente no blog Mundo Bailarinístico