Ballet Adulto: Expectativa vs Realidade

Tem curiosidade de saber como é começar a fazer ballet já adulta? Nossa parceira de conteúdo, Carol Lancelloti, do canal Meia Ponta, relembra todas as expectativas que tinha e conta o que conseguiu realizar. Veja no vídeo:

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Você ama dança? Então não pode perder o filme BalletNow!

Uma semana para criar uma coreografia que unisse diversos tipos de dança. Esse foi o desafio que Tiler Peck precisou enfrentar durante o BalletNOW. Sua rotina foi filmada e transformada em um documentário com uma perspectiva raramente vista. Imperdível!

 

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Bailarino é atleta?

Bailarinos são muitas vezes considerados atletas quando a demanda de movimento é analisada, no entanto, eles também são considerados artistas quando a produção artística é analisada. Essa falta de certeza na definição de quem são, ou como classificá-los é uma indicação de que reflexões precisam ser feitas sobre essa população.

A palavra atleta é uma palavra de origem grega que significa aquele que compete por um prêmio e foi relacionada a duas outras palavras gregas, “athlos” que significa competição e “athlon” que significa prêmio. Já a palavra artista se refere a uma pessoa envolvida na produção de arte, no fazer artístico criativo. Neste contexto, bailarinos que participam de concursos seriam classificados como atletas e bailarinos que se apresentam em espetáculos, sem fins competitivos, seriam considerados artistas. Porém, essa análise deve ser feita considerando muitos outros aspectos.

Considerando artista toda pessoa que trabalha com arte, a análise das demandas físicas, fisiológicas e biomecânicas de cada modalidade artística se faz necessária para poder entender como devemos preparar o corpo de cada artista. Se o bailarino é comparado com um pintor, na maioria das vezes, as exigências físicas para os bailarinos serão maiores. Esta análise de demandas puramente físicas, é um dos motivos pelos quais muitos pesquisadores acabam por enquadrar os bailarinos na categoria de atletas, e não artistas.

Contudo, atletas trabalham para melhorar seu desempenho além da capacidade real de seus corpos. O campeão em qualquer modalidade esportiva é a pessoa que pode correr mais rápido do que qualquer outra, saltar mais alto do que qualquer outra ou pedalar mais do longe do que qualquer outra pode. Embora bailarinos precisem de um alto nível de capacidades físicas, sendo por isso muitas vezes comparados com atletas, eles não precisam saltar muito mais alto do que um certo desempenho médio esperado.

Além disso, enquanto os atletas precisam trabalhar algumas capacidades físicas específicas objetivando aumentá-las o máximo possível, bailarinos precisam desenvolver uma gama de capacidades em conjunto, tais como flexibilidade, força, musicalidade, interpretação, dentre outras, dificultado a maximização de cada uma dessas capacidades individualmente. Este é um dos motivos pelo qual estudos comparando bailarinos com outros atletas de diversas modalidades esportivas concluiram que os bailarinos são muito mais fracos e despreparados do que se imaginava, e de que seus corpos não estão preparados para suportar as demandas que a própria dança exige.

Com relação apenas às capacidades físicas, o desafio é ainda maior quando considerarmos que algumas capacidades são concorrentes, ou seja, quando você aumenta uma, a outra diminue. É muito difícil, portanto, obter um desempenho de alto nível em todas elas ao mesmo tempo.

Essa concorrência entre as capacidades necessárias para se tornar um bom bailarino é um desafio para os profissionais que trabalham com preparação física de bailarinos e destaca a importância do desenvolvimento da área das Ciências da Dança além da área das Ciências do Esporte.

Foto: KSNN


Coreografias limpas, outro nível

Coreografias limpas saltam aos olhos de quem dança e de quem assiste! Nada como ver tudo organizado, principalmente quando não são solos. Duos e grupos em sintonia, fazendo movimentos iguais, ao mesmo tempo, seguindo o ritmo.


Significado de limpeza em dança

Limpeza – Quando os movimentos ou a coreografia está limpa significa que tudo está acontecendo certo. O mais perfeito possível. Falamos: “Fulana é limpa” ou “precisamos limpar a coreografia”.

Com a coreografia devidamente memorizada vai começar a fase de limpeza. Aprimoramento técnico; percepção de detalhes; confirmação de poses; posições de pernas, braços, mãos, cabeças…; posicionamentos; desenhos.

Para professores

Não podem deixar a preguiça e nem a pressa atropelarem esse processo de limpeza tão importante e essencial para um bom resultado do trabalho.

Para os alunos ou bailarinos

É sempre importante entender as repetições, dar atenção a todos os pequenos detalhes, ajudar o professor ou ensaiador falando quando não sabe muito bem determinado movimento, ou quando perceber que tem alguém fazendo diferente. Ser ser “dedo duro”, mas buscando apenas o esclarecimento do que deve ser feito.

Quanto mais repetirmos, mais teremos o domínio daquela coreografia e como é bom dançar seguro do que está fazendo.

Não será por acaso que, em francês, a palavra ensaio se diz “répéter”. É preciso repetir, repetir, repetir, ensaiar e repetir (de novo).
Uma coreografia limpa vale muito!!!!!!
Pode ser simples, se estiver bem limpinha mesmo fica tão linda!

Texto publicado originalmente em Mundo Bailarinístico

 

 

 

 


Bailarinas e as unhas das mãos

É muito comum lermos informações sobre os cuidados com as unhas dos pés das bailarinas, afinal, elas interferem diretamente ao uso de sapatilhas. Contudo, no post de hoje eu resolvi falar das unhas das mãos. Sim! Bailarinas precisam ter pelo menos 2 cuidados (os quais eu vou explicar ao longo deste texto) diferentes em relação à pessoas “normais”.

Porque devemos evitar unhas grandes no Ballet?

Tanto para as aulas quanto para dias de apresentação não é aconselhável que bailarinas tenham unhas muito compridas. Unhas muito longas podem atrapalhar sua rotina bailarinística e o principal cuidado que devemos levar em consideração é a possibilidade de arranharmos nossos amigos durante a execução dos passos, principalmente em passos de centro ou diagonal; ou em giros.

Além disso unhas mais curtas irão ajudar você a preservar a sua meia calça 🙂

Prefira cores discretas

Já pensando nas cores, o ideal é que você prefira cores mais discretas, menos berrantes, principalmente em caso de apresentações. Elas não devem chamar a atenção. Unham muito coloridas contrastam com sua pele e quebram a linha das suas mãos.

Curiosidade

“Unha Bailarina” é um nome que se dá a um formato de unha.
Batizado assim por surgir com um visual inspirado nas sapatilhas de ponta.

Tons suaves completam unhas com formato ‘bailarina’
Inspirado no visual das bailarinas, o novo formato para as unhas pede também tons de esmalte suaves. Apesar de trazer um estilo mais moderninho para as mãos, as tonalidades de rosa, branco e nude são as mais usadas, combinando com as roupas delicadas e romântica.

Texto originalmente publicado no blog Mundo Bailarinístico


Porque dançar faz bem para o cérebro?

Os benefícios sociais, emocionais e físicos associados à dança são mais do que conhecidos: e os mentais? Sabia que, para além de diminuir os níveis de stress e aumentar os níveis de serótina (e consequentemente o bem-estar geral), a dança tem a capacidade de nos tornar mais inteligentes, ao mesmo tempo que reduz o risco de demência. É o poder que a dança tem sobre o cérebro! Já dançou hoje?

Um estudo sobre a dança e o cérebro

Não é segredo nenhum que dançar faz bem à saúde, exterior e interior! O estudo sobre os efeitos fantásticos que a dança tem sobre o cérebro esteve a cargo do “New England Journal of Medicine” que chegou à simples conclusão que, da mesma forma que a dança nos ajuda fisicamente – queimando calorias, exercitando o corpo e mantendo-nos em forma – os seus efeitos sobre o cérebro são igualmente positivas: não só aumenta significativamente a agilidade mental, como até reduz o risco de doenças com uma forte componente de demência, como o Alzheimer, por exemplo. Ao longo de 21 anos, o estudo envolveu pessoas com mais de 75 anos de idade e observou a influência da prática de atividades cognitivas e físicas na luta contra a demência. Os resultados são surpreendentes: dançar frequentemente reduz o risco de demência em 76%! Segue-se a realização de palavras cruzadas 4 vezes por semana (reduz o risco de demência em 47%) e a leitura (reduz o risco de demência em 35%). Apesar dos seus óbvios benefícios físicos (nomeadamente cardiovasculares), a prática de modalidades desportivas como a natação, ciclismo ou golfe não contribuem para a redução do risco de demência. É caso para dizer, dance pela sua saúde!

Porque que dançar faz bem ao cérebro?

Estimular a inteligência e o raciocínio e assim assegurar uma agilidade mental saudável, em qualquer idade, passa por estimular o próprio cérebro com coisas novas e diferentes, que nos obrigam a pensar de forma criativa e “fora da caixa”. Quando isto acontece, a luz da “lâmpada” que existe dentro do nosso cérebro brilha cada vez mais forte. Se o cérebro estiver habituado a lidar sempre com as mesmas coisas, sempre da mesma fora, o cérebro não é suficientemente estimulado e, consequentemente, a luz da “lâmpada” torna-se cada vez mais fraca. E é aí que doenças relacionadas com demência podem facilmente instalar-se. Ao aumentar a nossa reserva cognitiva, reduzimos significativamente o risco de sofrer de uma doença como Alzheimer. E é precisamente aqui que a dança se destaca: por ser uma atividade que requer decisões rápidas e constantes, a sua ação sobre o cérebro é extremamente positiva.

Mais dança, mais inteligência

Este estudo não só demonstrou que a dança pode tornar-nos mais inteligentes, mais rápidos a pensar e a conseguir soluções criativas, como revelou que dançar é ainda uma arma poderosa no afastamento de doenças degenerativas. Para além disso, quanto mais dançar melhor! E para potenciar ainda mais os efeitos da dança sobre o cérebro, deve optar por aprender diferentes estilos de dança (quanto mais exigentes, melhor!), improvisar sempre que possível (ao invés de cingir-se a passos coreografados) e se dançar a dois, trocar de parceiro de dança as vezes que puder… para manter a atividade interessante e o cérebro ativo! Precisa de mais algum motive para pisar a pista de dança?

Fonte: Passo Base


O que nos move?

Há duas semanas, uma pergunta simples me pegou de jeito: por que você dança? Embora ela seja curta e direta, a força foi tamanha que não consegui responder o que desejava, algo que eu realmente achasse “agora sim disse tudo”. Ou seja, fiquei confusa.

Então, resolvi descobrir. 

De início, fiz uma retrospectiva sobre a minha vida: encontrei a dança devido a problemas nos pés (que eram completamente para dentro e dificultavam minha andada e corrida). Ao invés de usar botas ortopédicas ou operar, o médico me passou um elástico para usar dos pés ao quadril quando estivesse em casa e disse à minha mãe: “experimente colocá-la no balé clássico, creio que será muito bom”.

Minha mãe saiu correndo atrás de academias de dança e, em minha primeira aula, me apaixonei. Comecei e nunca mais parei. A dança foi tomando conta de mim a tal ponto de não me ver mais sem ela, de sentir falta quando não faço, de pensar em movimentos quando ouço música (acompanhando a viagem sonora) e de ser mais feliz quando danço.

E com esse leve flashback da vida, me dei conta de que, na verdade, não importa nosso histórico na dança. Não importa há quanto tempo ou onde dançamos, mas o que nos estimula a dançar. Pina Bausch uma vez disse: “não importa como nos movemos, mas o que nos move“. E ela estava certa. Então, percebi que dança está em mim e a minha existência me estimula dançar. Alguns pintam, outros tocam instrumentos ou cantam e eu danço.

Em um mundo onde tudo é padronizado, cronometrado, rotineiro e todos fazem as mesmas coisas, a dança me permitiu criar a realidade paralela na qual eu desejava estar. Ai dançar, não parece haver exatidão nas horas, nem execução única. Existe apenas a vontade de se expressar no espaço encontrado e naquela fração de segundo ou minuto.

Não é à toa que a dança contemporânea é tão inspiradora para mim. Qualquer movimento pode ser dança: uma piscada de olho, uma virada de mão, uma andada no palco, uma levantada de braço, uma passada de mão nos cabelos. Tudo é movimento e não há certo ou errado. Existe apenas você e sua vontade de se mover e se expressar. Não há limites para o corpo, basta ele estar vivo e presente no ambiente.

Talvez a falta de limites, a liberdade e a singularidade sejam as razões pelas quais eu me mova através da dança e goste tanto de estimular nos outros essa mesma vontade. E, então, me dei conta de que, desde o início, eu já havia respondido tudo o que desejava com a tal pergunta instigante: eu danço porque eu sou eu quando eu danço. Não existe a pessoa que desejam que eu seja, não ajo como esperam que eu aja. Simplesmente sou eu. Eu me defino através da dança e por isso, sem ela, me sinto incompleta.

Então, liberte-se. Deixe o movimento fluir em você. A partir do momento em que perceber sua unicidade, que cada movimento é seu e que ele revela seus sentimentos e anseios, a dança ocorrerá naturalmente. Que a dança contemporânea esteja com você: libertária e verdadeira. Desejo que ela seja cada vez mais disseminada e incorporada nas academias, auxiliando no aprimoramento da consciência corporal e da movimentação, além de refletir na melhora da execução em outras categorias de dança.

E pra você: o que te move?


A escolha de um solo

E finalmente chegou a minha vez de dançar um solo. Acho que a ficha ainda não caiu… rs Estou muito feliz em poder dividir essa notícia com vocês, minhas amigas leitoras, queridas ballerinas, que sempre acompanharam meus dramas, desafios e pequenas vitórias. ☺ A decisão de eu dançar um solo não foi por preferência. rs Mas sim porque eu, Reginaldo e Ana somos os 3 alunos de uma turma de 7 que mais comparecem às aulas. Muitas vezes, somos os únicos que comparecem. Não por desinteresse das outras alunas, mas porque suas vidas estão complicadas e não conseguem dar conta de ir — e eu sei bem o que é isso… Felizmente, esse ano eu estou conseguindo ser bem aplicada e minha professora resolveu dar um solo de presente para nós três, visto que não vai conseguir montar uma coreografia pra uma turma. And it gets better: nós podemos escolher o solo. Se vocês acompanham esse blog desde o início, já sabem qual é o meu tão sonhado, certo? rs A variação da princesa Florine, de A Bela Adormecida.

Eu uma vez postei sobre a variação do Cupido (de Don Quixote) vs a variação da Florine (de A Bela Adormecida) por aqui e o post gerou opiniões divididas a respeito de qual seria a mais fácil de dançar. Infelizmente, o vídeo com a Sarah Lamb foi retirado do ar e não o encontrei no perfil do Royal Opera House. Porém, encontrei esse, com a Yuhui Choe, dançando a mesma variação que tanto amo. Eu não sei exatamente quando minha fascinação por esse solo surgiu. Afnal, ele nem é um dos mais famosos… Mas eu simplesmente amo sua delicadeza, simplicidade e graça. A Bela Adormecida é um dos meus ballets favoritos e logo quando comecei a dançar, esse foi um dos primeiros que assisti. Talvez por isso seja tão querido na minha memória. Eu sempre tive certa preferência pelo Royal Ballet, de Londres, suas montagens e bailarinas: Alina Cojocaru, Marianela Núñez, Sarah Lamb… E por isso, prefiro essa variação acima, que já decorei na minha mente faz alguns anos. Mas existem outras tão bonitas quanto. A minha professora disse para pesquisarmos e sugeriu também algumas opções, como A morte do Cisne. Bem mais dramática, ela requer uma boa interpretação. A interpretação é praticamente metade do solo, não é mesmo? Mas esse não é o meu forte.

A verdade é que o pássaro azul e Florine já conquistaram meu coração e eu espero anos pra poder me aventurar nesse solo. Não só por isso: ele também é um pouco mais fácil de se executar do que outros que assisti. Ainda não consigo dar mais de um giro ou pirueta direto e a variação da princesa Florine contém alguns passos que, com bastante ensaio, eu consigo fazer, pois já são meus pontos fortes nas aulas. Afinal, não adianta ir com muita sede ao pote e cometer a loucura de escolher um solo cheio de passos que não vou conseguir aprender a tempo do meio do ano. É melhor optar pelo mais simples e dançar lindamente, certo?

Pois bem, está escolhido! Princesa Florine it is. Já estava escolhido desde que comecei a dançar. Esse solo é o meu solo e vou consegui! Vocês vão acompanhar tudo, prometo.


Segredos de ballerina

Deixa eu contar um segredo…

Preciso compartilhar tudo o que aprendo com vocês, então, sentei hoje animada pra escrever. Sabe aquele momento de descoberta, que muda tudo? Então! Não posso deixar isso passar porque se mudou a minha vida na dança. rs Sabe quando a professora insiste que seu joelho tem que ficar 100% esticado? Sabe quando ela pede pra você fazer a pirueta pensando “pra cima!” e também pra cair com seu peso em cima da perna de base durante um piqué? A gente nem sempre faz, né? A gente sempre dá uma roubadinha… Mas olha, anota a dica: faz tudo isso. rs Concentra e faz. Faz de verdade, mesmo que seja difícil e você precise passar aulas e aulas tentando.

Não basta dar aquela roubadinha e iniciar um piqué ou tour piqué (ou qualquer giro) com o joelho levemente dobrado pra depois esticá-lo Você já perdeu seu giro ali mesmo, ballerina. Nunca vai rolar desse jeito… Três coisas contribuem para um bom giro: joelho esticado desde o momento em que sua ponta toca no chão, confiança e cabeça marcada num ponto. Você nem precisa de tanto impluso. Se for um giro só, não vai precisar de impulso algum, acredite. Não esquece: joelho esticado — pra cima! — cabeça! E voilá! Depois me contem. 😉


Visitando a Gaynor Minden em NYC

Há um tempo atrás, minha amiga, Clara, vistiou a loja da Gaynor Minden em NYC e gentilmente cedeu seus cliques e depoimento pro Meia Ponta nesse post aqui. Eu me apaixonei pela loja, pela experiência e, tendo eu uma Gaynor que ganhei de presente há alguns anos atrás, disse pra mim mesma que a loja seria meu primeiro destino quando visitasse a cidade novamente (a primeira vez que passei rapidamente por NY, tinha 18 anos e ainda não fazia ballet). E assim o fiz. ☺

Logo no primeiro dia, comecei fazendo o “turistão”: subi no Top of the Rock pra olhar a cidade, dei uma voltinha no Rockefeller Center, visitei a Times Square e, então, era hora de partir pra Gaynor. Eu tinha 1 hora pra chegar lá, mas não foi o suficiente pra uma perdida. rs Confundi os West e East sides da rua, rodei muito e cheguei lá meia hora atrasada e com os pés doendo. Mas no final, deu tudo certo. O dia não estava movimentado e fui atendida no minuto em que cheguei.

A consulta foi rápida. Ela mediu meus dois pés e também pediu pra eu fazer ponta, pra analisar minha arcada. Depois, foi no estoque e pegou uma sapatilha no saquinho amarelo. Experimentei dois números que ficaram um pouco grandes. Ela pedia pra eu fazer plié e ponta de pé e a gente analisava. Quando sobrava muito atrás, eu pedia um número menor. Enfim, a terceira ficou boa!

Eu perguntei o que significava o saco da cor amarela, porque quando ganhei a minha primeira Gaynor, ela veio fora do saco oficial e nunca soube qual era o meu. Ela me explicou que eu havia recebido a sapatilha no saco amarelo porque era um modelo pra pé mais forte e também em função da minha arcada. A brasileira que estava comigo levou a dela, se não me engano, num saquinho rosa. De acordo com o folheto de instrução que vem junto com a sapatilha, a Yellow, chamada de ExtraFlex, pode ser comparada a uma sapatilha um pouco usada. Antes dela, vem a Hard, do saco verde, e depois, as mais molinhas, dos sacos rosa, turquesa e lavanda.

De acordo com o folheto, existem 3.116 tipos de fitting options! Muita coisa, né? Um outro detalhe especial que a atendente me explicou foi que eu estava levando uma sapatilha com tecido diferenciado. A Gaynor Minden Luxe. Dá pra notar que a sapatilha tem uma textura mais fofa e na etiqueta que acompanha o produto, vem escrito que esse material não enrruga tanto e “é ideal para uma performance, uma sessão de fotos ou qualquer momento em que você precise que sua sapatilha esteja perfeita!” Já viram como vai ser um dó pintar pra apresentação, né? rs Acho que vou manter minha Gaynor antiga pra isso… rs

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Tirando a correria pra chegar e a preocupação por estar perdida, foi uma experiência muito bacana, que toda bailarina merece ter. Foi emocionante chegar na frente do prédio de uma das marcas mais tradicionais e importantes de sapatilhas do mundo. Experiência pra guardar com carinho pra sempre!

Como eu marquei minha consulta: por email, em inglês, pelo fitters@dancer.com. Não é preciso marcar com tanta antecedência, mas eu marquei 3 meses antes.

Endereço: 140 West 16th Street, NY

Texto originalmente publicado no blog Meia Ponta. Acesse o canal do Meia Ponta no Youtube.


Lesão no balé e a importância de saber ouvir o seu corpo

O assunto de hoje é muitas vezes ignorado pela mídia, que se interessa em mostrar só a parte bonita do balé, criando a ilusão de que a bailarina é um ser perfeito. Quem já sofreu alguma lesão dançando ou praticando o que gosta, sabe bem do que vou falar.

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No final de cada semestre no Bolshoi passamos por diversas avaliações práticas e teóricas. E em julho, como vocês sabem, acontece o Festival de Dança de Joinville. Pois bem, lá estava eu, dias antes de duas avaliações importantes, quando no meio do exercício de saltos, ouvimos um estalo muito forte. O estalo veio do meu pé, que tinha sido torcido. Até então não sabia ao certo o que tinha acontecido, só deu tempo de ficar assustada e sentir dor.

O que rolou foi o seguinte, estávamos todos naquele pique frenético de “vamos lá, tá acabando… Quase férias, força!”, por isso não dei muita bola pra dor que estava sentindo na perna. Então, inconscientemente, comecei a pisar de um jeito que não forçasse minha canela, e acabei torcendo o pé. Tive que me afastar das sapatilhas e em troca me agarrar na botinha ortopédica, muleta, gelo e sessões fisioterápicas.

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Quem não vive nesse meio não tem ideia do quão diretamente isso nos afeta. Nosso corpo é o nosso instrumento de trabalho, se uma coisa não funciona bem, nós não funcionamos bem. E como se já não fosse ruim o suficiente estar me sentindo inútil e dependente dos outros, nos momentos em que preciso sair de casa dá vontade de me esconder. As pessoas olham, comentam, cutucam o cara do lado pra olhar também, encaram, comentam mais… E caramba, é chato demais. Inclusive, não sejam essas pessoas!!!

Já faz um mês que estou afastada da dança e, apesar de ainda não conseguir subir na meia ponta, aos poucos estou colocando o pé no chão — não só no sentindo figurado. Sem pressa vou me reabilitando e resgatando a mobilidade do meu pé.

Então, saibam ouvir o corpo de vocês. Se ele grita é porque alguma coisa não vai bem, não é ignorando que a dor vai sumir e se você não parar de forçar por bem, seu corpo vai te obrigar a parar por mal. Take care!

Créditos das fotos: capa – Cris Gomes / bailarina: Melissa Oliveira |Reproduções da internet)


Não dançar para poder dançar!

Dizem que “o ócio é o melhor negó­cio” e, em cer­tos momen­tos da vida, isso não deixa de ser verdade.

As pes­soas ima­gi­nam que todas as bai­la­ri­nas levam uma vida gla­mou­rosa, mas não é bem assim. Em cer­tas épocas do ano, che­ga­mos a um ponto que nos­sas per­nas que­rem se des­co­nec­tar do corpo e sair andando por aí sozi­nhas. Nossos bra­ços já não que­rem mais nada com nada e nosso corpo…

Ah, o nosso corpo… Esse chora, grita, esper­neia, não obe­dece, faz de tudo que pode para nos mos­trar que está esgo­tado, que quer e pre­cisa des­can­sar. Então con­ti­nu­a­mos a tra­ba­lhar, for­çando o nosso corpo a fazer coi­sas que já não con­se­guem ser fei­tas com a natu­ra­li­dade de antes. E aí sur­gem as con­tra­tu­ras, ten­di­ni­tes e dores mus­cu­la­res, dessa vez, mais for­tes que o nor­mal, mas olha que beleza, nem tudo está perdido!

As férias—finalmente—chegaram!!! Galera, esse é o nosso momento de des­canso!!! Nosso corpo pre­cisa de pelo menos duas sema­nas de tré­gua, então nada de fazer cur­sos de férias que nem lou­cos! Vamos via­jar, ver fil­mes, vamos a la playa!

Dias depois, a sau­dade da dança já começa a aper­tar, e nós já nos pre­pa­ra­mos para vol­tar com tudo! É isso aí, bai­la­ri­nos, apro­vei­tem as férias enquanto podem, por­que o col­lant já está doido para sair da gaveta!!

(Por Sofia Araldi – natural do Rio de Janeiro, estudante da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, apaixonada por dança e filmes antigos).


Eliana Caminada ou “A menina dos olhos de esmalte”

A bai­la­rina Eliana Caminada faz parte da his­tó­ria da dança bra­si­leira, por seus mui­tos anos de dedi­ca­ção e tra­ba­lho junto ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, principalmente.

Mas tam­bém fez car­reira no Ballet Guaíra, no período em que o mes­tre Eric Valdo (seu marido) diri­giu a com­pa­nhia. Naquele momento sur­giam enor­mes talen­tos e tem­po­ra­das impor­tan­tís­si­mas, a com­pa­nhia esta­tal do Paraná firmou-se defi­ni­ti­va­mente no cená­rio nacional.

Se hoje Eliana é uma mes­tra em his­tó­ria da dança, uma das artis­tas mais inte­li­gen­tes e sabe­do­ras que conhe­ce­mos, tudo isso foi for­jado com anos de dedi­ca­ção e amor pela arte. Hoje somos gran­des e que­ri­dos ami­gos, mas quero con­tar pra vocês a pri­meira vez que vi Eliana Caminada ao vivo, um epi­só­dio mar­cante e muito bonito.

Eu era aluno do Curso de Danças Clássicas da Fundação Teatro Guaíra, ini­ci­ando meus pas­sos na car­reira, no apren­di­zado, absor­vendo todas as infor­ma­ções que me che­ga­vam com entu­si­asmo e enorme boa von­tade. Era ali pelo ano de 1981, eu con­tava quase um ano de apren­di­zado na escola, Caminada já era uma grande bai­la­rina com uma sólida e esta­be­le­cida car­reira, junto às com­pa­nhias que citei e con­vi­dada de outras tantas.

Coppélia com Bujones

Eliana Caminada, Fernando Bujones e Studio D. Coppélia ato III.

Pois foi então que o Studio D, diri­gido por Dora de Paula Soares e Hugo Dellavale mon­tou o bal­let Coppélia (ou “A menina dos olhos de esmalte”), e con­vi­dou nada menos do que Eliana Caminada e Fernando Bujones pra estre­la­rem essa tem­po­rada. Fernando seria meu dire­tor e grande amigo anos depois, já no Ballet do Theatro Municipal. E foi ali, nessa mon­ta­gem, que me apai­xo­nei pela arte de Eliana Caminada.

Não ape­nas sua téc­nica pre­cisa, físico bonito e român­tico, mas sua maneira de expres­sar tudo isso me hip­no­ti­zou como um golpe. Seu rosto deli­cado, doce, com enor­mes olhos muito expres­si­vos sal­ta­vam do palco até a última fila do Guairão. Era uma ale­gria vê-la dan­çar, e creio que assisti a todas as réci­tas dessa tem­po­rada de Coppélia.

A peralta Swanilda inter­pre­tada por Eliana fez his­tó­ria, pois esse papel exige, além da téc­nica clás­sica apu­ra­dís­sima, uma qua­li­dade de atriz muito impor­tante. Qualidade essa que Eliana Caminada tinha de sobra, domi­nando todas as nuan­ces dessa obra tão bonita e impor­tante do bal­let clás­sico. E a dupla/dobradinha que ela criou com Fernando Bujones, que já era um dos bai­la­ri­nos mais impor­tan­tes do pla­neta naquele momento, fez his­tó­ria. Eles cri­a­vam fagu­lhas, faís­cas, nos emo­ci­o­nando, nos fazendo rir, nos enternecendo…

A vida tinha uma maneira um pouco menos cor­rida e mais roman­ce­ada do que hoje em dia. Parece que o mundo girava um boca­di­nho mais len­ta­mente do que agora, na era da inter­net. E isso cer­ta­mente se refle­tia nas artes, havia mais qua­li­dade, entrega, uma aura de res­peito e dedi­ca­ção pelo ofí­cio. Que exis­tem hoje, mas de forma dife­ren­ci­ada, cer­ta­mente, e em menor qua­li­dade. A quan­ti­dade tomou um pouco as rédeas da coisa.

Mas o mundo não pára, e tenho a feli­ci­dade de ter viven­ci­ado esse tempo onde tudo andava mais len­ta­mente, cri­ando tempo e espaço pra pres­tar­mos, de ver­dade, aten­ção às coi­sas. Onde a ARTE era mais impor­tante do que exe­cu­tar mui­tas piru­e­tas. Como e porquê fazê-las con­tava mais do que o número, a quan­ti­dade. E acre­dito que isso deve­ria ser sem­pre a meta de qual­quer artista bai­la­rino, em qual­quer tempo.

Agradeço às tan­tas e lin­das memó­rias que trago, aos momen­tos mági­cos que viven­ciei. Aos mag­ní­fi­cos artis­tas que pude ver em cena, e que cer­ta­mente fazem parte do que sou hoje. Momentos e expe­ri­ên­cias que me for­ja­ram como homem e como artista. Sou imen­sa­mente grato por isso. E aqui, em público, mais uma vez, agra­deço à essa mag­ní­fica artista, minha amiga Eliana Caminada!

Por: Manoel Francisco – atua como maitre de ballet e repetiteur junto ao Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e como convidado de festivais e companhias nacionais e estrangeiras.